Sacolas na cabeça

Sacolas na cabeça
SACOLAS NA CABEÇA é uma intervenção urbana onde pessoas andam pela cidade com sacolas de compras na cabeça. O ambiente das ruas é modificado com a invasão de seres que desafiam a lógica e instigam a realidade. Suas presenças criam um mundo paralelo.
O centro das metrópoles e os espaços urbanos são, muitas vezes, não-lugares, locais de passagem e de negociações comerciais, onde a interação entre seus habitantes e o espaço é empobrecida pela velocidade, pela objetividade, pela mesmice da vida cotidiana, pelas relações de compra e venda, pela alienação e anestesiamento dos sentidos. Essa ação no espaço público modifica essas interações.
A sacola de compras pode ser considerada um objeto cotidiano que simboliza a realidade mercantilista em que vivemos, um ícone da sociedade do consumo e do sistema capitalista que visa o lucro. Confeccionadas como máscaras e usadas de uma forma que subverte seu uso pragmático, são um convite à interação. As sacolas funcionam como objetos relacionais, um tipo de dispositivo provocador de relações, reações, situações, interpretações e leituras que trazem à tona o que está invisível, porém latente no contexto sociopolítico cultural de um dado momento e local. Reflexões críticas e políticas, interações lúdicas, conversas e deslocamentos da percepção movimentam e quebram a lógica cotidiana habitual.
São, também, pontos focais que atraem o olhar do transeunte. As composições espaciais na paisagem urbana revelam a materialidade e a infraestrutura da cidade, tornando visíveis o que está próximo e o que está distante, o relevo do tecido urbano, detalhes das edificações, do mobiliário urbano, da arquitetura, do urbanismo que, muitas vezes, passam despercebidos.
As sacolas são distribuídas durante a performance. As pessoas que estão passando, ambulantes, lojistas, consumidores e diferentes habitantes da cidade que aceitam a sacola, se apropriam dela de várias maneiras, entram no jogo, promovendo inúmeras relações entre pessoas e ambiente. Os performers se multiplicam. A experiência com a cidade ganha contorno inesperado, quase surreal. Tem-se a sensação de estar dentro de um sonho.
Créditos
Direção artística e concepção: Luciana Lara
Pesquisa: Luciana Lara em colaboração com performers
Performers: Camilla Nyarady, Christhian Cantarino, Déborah Alessandra, João Lima, Marcia Regina, Leandro Menezes, Leonardo Rodrigues, Luara Learth, Luciana Matias, Luciana Lara, Raoni Carricondo, Roberto Dagô, Robson Castro, Valéria Rocha, Vinícius Santana, artistas locais participantes de oficinas montagem e transeuntes.
Produção e confecção das sacolas: Marconi Valadares e Luciana Lara.
Fotos: Luciana Lara, Marconi Valadares, Sartoryi e Thiago Araújo
HISTÓRICO
ESTREIA: Dezembro de 2014. Praça do Relógio, Taguatinga-DF. Desdobramento da pesquisa para o trabalho “De Carne e Concreto – Uma instalação coreográfica”. Fundo de apoio à Cultura do DF (FAC).
2019
Projeto ASQ outside the black box - Espaço Cultural Renato Russo e arredores da 508 e 308 sul, Brasília-DF.
MID – Movimento Internacional de Dança. CCBB, Brasília -DF.
2018
Projeto ASQ outside the black box - Arredores do terminal Lapa e do Centro Cultural Tendal da Lapa em São Paulo-SP,
XI FIAC Bahia. Pelourinho e Plataforma, Salvador-BA.
2016
IV Mostra de Dança XYZ. Setor Comercial Sul, Brasília-DF
Projeto Modos de Existir – Publicações. Arredores do SESC Santo Amaro, São Paulo-SP.






