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Trilhas
Trilhas



A Anti Status Quo tem investido, desde 1998, em trilhas sonoras originais. Foram cinco até o momento, das mais recentes para as mais distantes no tempo: Cidade em Plano, Aletheia, Coisas de Cartum, Dalí e Nada Pessoal. Concebidas simultaneamente aos demais elementos dos espetáculos suas criações participaram dos processos dramatúrgicos e coreográficos. As composições sonoras influenciaram e foram influenciadas pelas pesquisas corporais e as concepções de cenário, iluminação e figurino. Criando um diferencial que tem potencializado a criação de uma linguagem singular e a coerência poética e estética dos trabalhos. Nesse processo, a companhia também tem investido no trabalho de design de som que tem se mostrado muito relevante nas concepções do grupo porque pensa a composição de relações sensoriais entre corpo, ambiente e público, investigando a materialidade do som e como ele é sentido no espaço e no tempo.







TRILHA - CIDADE EM PLANO

Criada a 18 mãos sua mixagem foi quadrifônica.

O músico Paulucci Araújo tem pesquisado instrumentos ancestrais como o didjeridu, o berimbau de boca e o harmônio, sem se fixar no caráter étnico das suas capacidades sonoras, vem desenvolvendo um trabalho contemporâneo de composição. Para Cidade em Plano, Paulucci capturou os sons da cidade e sons de ambiência, entendendo a cidade como corpo vivo, suas edificações e seus espaços públicos como órgãos que produzem som quando cumprem suas funções. Através da manipulação desses sons no computador, com a colaboração do músico DJ Chico Aquino, construiu-se planos sonoros com justaposições e composições rítmicas.

Antonio Serralvo, fez o design de som e a mixagem de toda a trilha. Serralvo foi fundamental na pesquisa com a quadrifonia, criou a arquitetura do ambiente sonoro para a cena dos cartões postais, pensando junto com a diretora Luciana Lara, na trajetória do som que seguia a coreografia e os bailarinos no espaço. Serralvo, também criou trechos inteiros de trilha, a partir de uma colagem de gravações como o solo de trompete de Moisés Alves para a Cena JK e sons produzidos por Pablo Ornelas.

Valéria Lehmann é violoncelista e tem trabalhado em composições na área da música erudita contemporânea e, também, participou de um período do processo criativo como bailarina. Envolvida corporalmente no trabalho, Lehmann criou a trilha Skyline, que abre o espetáculo, a partir de conceitos do minimalismo, compondo a partir do desenvolvimento de um motivo, inspirado no desenho da silhueta da cidade. Essa composição foi, em 2020, trilha, também, do trabalho JUNTOSeSEPARADOS que seguia os modos operativos da colagem em sua concepção.

As bailarinas também participaram da trilha de Cidade em Plano, gravando trechos da crônica de Clarice Lispector “Primeiros Começos de Brasília”. E Gigliola Mendes e Aline Morais criaram o sapateado que, para além da dança, é acima de tudo uma composição, com vários ritmos da cultura popular brasileira, inspirada na vinda dos trabalhadores dos quatro cantos do Brasil para a construção de Brasília.


CRÉDITOS

Direção: Luciana Lara
Músicas: Skyline, Bsb saga, Desconstrução do peixe vivo,
Composição: Valéria Lehmann
Composição e interpretação Trompete: Moisés Alves
Pesquisa de roteiro de sons: Paulucci Araújo, Chico Aquino e Luciana Lara
Mixagem dos sons: Luciana Lara com colaboração de Pablo Ornelas
Designer de som quadrifônico, edição e mixagem da trilha e edição de vídeo: Antônio Serralvo







TRILHA - ORIGINAL ALETHEIA

A trilha sonora é executada ao vivo, composta e interpretada por Paulucci Araújo que toca didjeridu e canta. O som do didjeridu, instrumento de sopro aborígene com mais de quarenta mil anos, é considerado por essa cultura como o som da terra. Nesse trabalho coreográfico assume o papel do sentimento e emoção das bailarinas. O uso do canto harmônico, ou canto gutural, originário de Tuva, na Mongólia, foi pensado para proporcionar um envolvimento irracional com a cena. A trilha não explora o exotismo ou etnicidade das materialidades sonoras, mas investe na potencialidade da essência do som, na sua vibração no corpo e nas atmosferas psicológicas que pode criar. A efemeridade da dança e da música intensificam o momento e o sentido de presença. A fisicalidade das bailarinas, em diálogo com o esforço físico do músico ao tocar e cantar, são elementos que tornam a obra visceral.


CRÉDITOS:

Direção: Luciana Lara
Trilha Sonora: Paullucci Araújo
Músicos colaboradores: Valéria Lehmann e Luis Olivieri
Design de som: Antonio Serralvo







TRILHA - COISAS DE CARTUM

Composta pelo músico Marcelo Linhos, artista com experiência em música popular de raiz brasileira e trilhas para peças teatrais. Sua contribuição foi essencial pois o roteiro de Coisas de Cartum tinha como uma das três linhas temáticas: o cotidiano quase surreal brasileiro e questões de “brasilidade”. A musicalidade do universo caipira em contraste com a modernidade do cenário gerava humor. As composições misturam sons eletrônicos, onomatopéicos, e instrumentos brasileiros como o berimbau e a viola caipira. Linhos também brincou com referências musicais e criou uma colagem de ditados populares que brincava com os sentidos, sempre de forma muito bem-humorada. Sua experiência com o teatro ajudava a criar contextos musicais relevantes para as intencionalidades das cenas sem ser literal.



CRÉDITOS

Direção: Luciana Lara
Composição e concepção: Marcelo Linhos
Música de abertura e de encerramento: H. Le Bars e Bach








TRILHA - DALÍ

A trilha de Dalí, composta pelo multi-instrumentista Cláudio Vinícius, é um capítulo à parte na trajetória da Companhia, culminando na gravação de um CD. O trabalho com a trilha é um verdadeiro mergulho daliniano. Inspirada em procedimentos de criação do surrealismo, como a escrita automática e a associação livre de ideias, a trilha estabelece por exemplo um diálogo com o repente nordestinos, utilizando títulos de quadros do pintor catalão como base para a criação das letras.

O processo criativo buscou referências em diferentes aspectos da vida e do imaginário de Dalí: sua obsessão pelo compositor Richard Wagner — especialmente pela ópera Tristão e Isolda, da qual escutava repetidamente o mesmo trecho —, sua relação com sua esposa e musa Gala, além de diversas referências clássicas presentes em sua obra. Também dialoga com elementos icônicos de seu universo, como os relógios derretidos, as sensações provocadas por suas pinturas, as falas egocêntricas e absurdas de sua persona espetacular e seu imaginário onírico.

Misturando referências brasileiras e espanholas, o trabalho inclui ainda as vozes dos bailarinos e o uso de gravações invertidas. O resultado é uma verdadeira experiência sonora com muita liberdade criativa como propunha o movimento surrealista.

Faixas do CD:

• Sonho
• Ambientação 1 "Retrato Surrealista"
• Festa em Figueras
• EmbolaDalí
• Duo GalaDalí
• Banheiro da Suíte
• Justiça Suprema
• Imatso
• Ambientação 2 "Suíte Sensações"



CRÉDITOS

Direção: Luciana Lara
Criação, Composição e Programação: Cláudio Vinícius
Vozes: Janete Dornellas, Alexandre Innecco e Cláudio Vinícius
Músicos: Cláudio Vinícius, Augusto Guerra Vicente e Elias de Andrade
Participação especial (Composição e Violoncelo): Ocelo Mendonça
Sons: Gisele Calazans, Dani Couto, Cleani Marques, Micheline Santiago, Marina Maia, Luciana Lara, Cláudio Vinícius e Bidu Froz.
Mixagem e Gravação: Estúdio Allaudin, Brasília-DF
Produção do CD: Marconi Valadares







TRILHA - NADA PESSOAL

Pela primeira vez a companhia trabalha com uma trilha sonora especialmente criada para o espetáculo, composta por Cláudio Vinícios. A relação da música com a dança se torna um dos elementos fundamentais desta pesquisa. Coincide com a primeira vez, também, que o grupo trabalha com dramaturgia. A trilha foi composta baseada nas coreografias, como recurso para vincular melhor as atmosferas e a emoção de cada cena.



CRÉDITOS

Direção: Luciana Lara
Criação, Composição e Programação: Cláudio Vinícius

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